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Sarna

17/05/2021 09:30:20

Sarna

Contagiosa, ataca animais e humanos, produzindo efeitos terríveis no organismo. Higiene e cuidado na compra de filhotes são a melhor forma de ficar fora de seu alcance.
Prurido intenso, descamação da pele, perda de pêlo e hemorragia podem ser sintomas da temida sarna. Esta conhecida doença de pele é muito contagiosa e pode se disseminar até atingir outros órgãos de maneira generalizada, se não for devidamente tratada.

Há quem afirme que a sarna canina não afeta os humanos. Na realidade, existem dois tipos da doença: uma que ataca apenas os animais e outra que é transmissível às pessoas. Esta enfermidade é produzida pelo Sarcoptes scabiei (sarna sarcóptica ou escabiose) e pelo Demodex canis (sarna demodécica, demodicose ou, ainda,sarna negra dos cães).

A prevenção é feita sobretudo a partir de cuidados de higiene e da seleção atenta e criteriosa na criação e aquisição dos animais.

Sarna demodécica

Própria dos cães, é causada pelo Demodex canis, um ácaro muito pequeno de aspecto tubular, abdome largo com estrias transversais, com oito patas curtas e espessas (nas formas adultas) ou com seis patas (na fase larval).

O Demodex canis invade a pele e atinge glândulas sebáceas e folículos pilosos, onde passa a produzir ovos dos quais nascerão larvas que se desenvolverão, passando pela fase de ninfas, até atingir a forma adulta.

A doença pode dar origem a uma gama de lesões que variam de uma pequena queda de pêlos, localizada ao redor dos olhos e outras regiões, até perda de pelagem em largas áreas, acompanhada de hemorragias extensas por todo o corpo do cão. A pele, então, pode ficar desprovida de pêlo, espessa, seca, com caspas e pequenas vesículas ligeiramente avermelhadas em suas bases. Essas vesículas poderão se contaminar, por exemplo, com bactérias como o Staphylococus aureus normalmente presente na pelagem dos cães.

A contaminação levará à formação de regiões com secreções purulentas e a pele poderá se tornar hemorrágica, com áreas de tecido necrosado (morto) que irão se desprender espontaneamente com o tempo e escurecer (daí o nome "sarna negra dos cães").

Com o agravamento da enfermidade, os ácaros invadem os gânglios linfáticos (órgãos de defesa imunológica dos cães) e outros tecidos, tornando a doença sistêmica, ou seja, generalizada.

Mal de família

A sarna demodécica generalizada é de prevalência familiar (é transmitida da mãe para os filhotes). Por sua vez, as deficiências imunológicas parecem exercer um importante papel no seu desenvolvimento. Animais debilitados, mal nutridos, com verminose e problemas respiratórios são mais suscetíveis às sarnas.

A demodicose atinge cães de todas as idades. No entanto, ocorre mais freqüentemente em indivíduos jovens. Fatores genéticos e padrões hereditários ainda não estão bem estabelecidos como desencadeadores da doença mas, estatisticamente, algumas raças são mais afetadas que outras, segundo Carol S. Fois (leia tabela ao lado), citado no livro Pediatria Veterinária, de Johnny D. Hoskins.

Como evitar a demodicose

  • Nunca adquira cães sem examinar a pele dos pais (principalmente da cadela) e dos irmãos de ninhada;
  • Recuse cão com lesão de pele;
  • Se você tiver um cão com problema de pele, NÃO UTILIZE MEDICAÇÃO COM CORTICÓIDES SEM ORIENTAÇÃO DE MÉDICO VETERINÁRIO.

A administração aleatória desses produtos ameniza os sintomas no início, dando uma falsa idéia de cura. É bom lembrar que medicamentos com corticóides (como prednisolona e hidrocortisona) deprimem as defesas do cão, suprimindo mecanismos que possibilitam o agravamento da doença, o que pode levar a um estado incurável;

  • Impeça que fêmeas portadoras de sarna demodécica procriem;
  • Alguns produtos vêm sendo vendidos de maneira inescrupulosa a proprietários com cães portadores de demodicose. Tais produtos têm penetração ativa pela pele e podem provocar intoxicações fatais tanto no cão quanto nos seus donos;
  • Boa nutrição aumenta a resistência dos cães às sarnas e é muito importante no tratamento;
  • A terapia deve ser conduzida e orientada por médico veterinário, que decidirá sobre o uso adequado de acaricida específico, combate bacteriano, produtos para melhora da condição imunológica e manejo correto do animal.

Embora seja extremamente grave, a sarna demodécica não afeta a espécie humana.

Sarna sarcóptica

Este tipo de sarna, que é transmissível ao homem, é causado pelo ácaro Sarcoptes scabiei. O parasita coloca ovos em galerias que produz na pele do cão, dos quais nascem as larvas. A intensa coceira provocada durante sua locomoção é capaz de levar o animal a arrancar pedaços da própria pele que, ao ser examinada, mostra-se ressecada, espessa, rugosa e com crostas. As lesões surgem na cabeça e pescoço, podendo se estender pelo corpo e, em estágios avançados de contaminações bacterianas e fúngicas, ocorrerão complicações secundárias.

Formas de contágio

· Contato com animais ou humanos portadores do ácaro (doentes ou portadores sem sintomas);

  • Uso de materiais contaminados com o ácaro (toalhas, panos, caixas, pentes, móveis, entre outros).

Prevenção

  • Ao comprar um cão, examine a pele dos pais e irmãos de ninhada;
  • Verifique se há coceira intensa (esse método não funciona bem em cães com menos de seis semanas, que têm os reflexos de coçar ainda pouco desenvolvidos);
  • Verifique, se puder, lesões de pele nos donos e tratadores do cão;
  • Se você possui um cão com sarna, após a visita ao veterinário que determinará o tratamento específico, troque os panos da cama do animal por jornais ou papéis que devem ser substituidos diariamente. Livre-se de casas para cães, camas, panos e ferva as toalhas de banho após o uso. Trate todos os animais que tiveram contato com o enfermo e verifique se há pessoa doente em casa. Em caso positivo, consulte um médico.

Quando a vítima é o homem

Por se tratar de uma zoonose (doença transmissível às espécies humana e canina), passaremos a descrever os sinais de sarna sarcóptica ou escabiose no homem. Para tanto, citamos o texto a seguir, contido no livro Parasitologia Médica, do emérito professor Samuel Bamsley Pessoa.

Agente: Sarcoptes scabiei

Contágio: Se realiza quando as fêmeas do ácaro fecundadas passam do indivíduo infestado ao são; é favorecido pelas relações sexuais bem como pelo uso de roupas de cama ocupadas anteriormente por pessoas infectadas. Só por exceção se dá o contágio durante o dia; quase sempre é notumo devido aos hábitos do parasita. É facilitado pela falta de higiene e promiscuidade em que vivem as classes pobres, o que explica a difusão da sarna entre o povo.

Localização: O Sarcoptes scabiei localiza-se na epiderme, debaixo da camada cómea, com predomínio em determinadas regiões: espaços interdigitais, face anterior do antebraço, cotovelos, axilas, seios, sobretudo nos sulcos inter e submamários, escroto e prepúcio. Nas crianças as regiões glúteas são muito atacadas. Quando a sarna data de muito tempo, pode se estender a toda superfície cutânea, com exceção do rosto que é sempre respeitado; raramente ataca o pescoço. O período de incubação varia entre cinco a quinze dias. A principal manifestação clínica é o prurido intenso (coceira), com recrudescência notuma ou exclusivamente vespertino e notumo. É particularmente acentuado, tornando-se intolerável na ocasião do doente deitar-se, que corresponde ao período de atividade dos ácaros; além do prurido local ou generalizado há caracteres objetivos, isto é, presença de sulcos ou galerias pequenas, de forma sinuosa, mais ou menos visíveis segundo os cuidados higiênicos dos indivíduos e apresentam no seu trajeto pequenas vesículas perláceas (bolhas).

Ao detectar os sintomas relacionados acima, procure com urgência um médico dermatologista para instalação de diagnóstico tratamento correto.

Fonte :

cinobras